Quais São os Seus Livros de Receitas Mais Queridos?

A resposta, para muitos, é simples: os que estão caindo aos pedaços.

Em tempos em que muitas editoras têm relançado livros clássicos da culinária, como Persiana, de Sabrina Ghayour, e Honey & Co: Food from the Middle East, de Itamar Srulovich e Sarit Packer, fica difícil não pensar na relação que temos com nossos exemplares antigos — aqueles manchados, com páginas coladas de tanto uso, cheios de rabiscos nas bordas.

Não são apenas livros. São memórias em forma de papel.


Por Que Tantos Relançamentos?

Do ponto de vista editorial, faz todo sentido. Relançar um livro de sucesso custa menos do que produzir um novo e ainda apresenta o autor a uma nova geração de leitores.

Além disso, há um consenso silencioso entre amantes da cozinha: os primeiros livros costumam ser os mais especiais. Nigella Lawson, por exemplo, tem uma extensa coleção de obras adoradas, mas será que alguma supera o revolucionário “Como Comer”? (Fica o debate!)


O Valor Imaterial dos Exemplares Usados

Apesar das edições relançadas virem mais bonitas e atualizadas, é difícil se desfazer de um livro que já faz parte da casa. Um exemplar antigo carrega cheiros de infância, anotações de avó, dobras em páginas favoritas. Muitos deles se tornam quase relíquias de família.

Alguns leitores chegam a dizer que preferem comprar versões antigas em sebos por um terço do valor de um relançamento novinho em folha — e com muito mais história pra contar.


Meus Livros Mais Gastos

Confesso que, apesar de testar muitas receitas novas e receber livros de todos os tipos, poucos são os que mostram sinais de uso pesado aqui em casa. Um deles é Cooking in a Bedsitter, de Katherine Whitehorn, que me acompanhou nos primeiros anos em Londres. Outro é Cooking from Farthinghoe, de Nicola Cox, minha verdadeira bíblia culinária de recém-casada. Frequentava inclusive as aulas da autora, numa época em que desossar e rechear um pato parecia uma atividade divertida de final de semana.


Cópias Que São Testemunhas da Vida Real

Minha vizinha Kate tem verdadeiros tesouros no armário: seu Curso Completo de Culinária, da Delia Smith, e um exemplar gasto de Como Comer, da Nigella, ambos bastante usados. Mas o que mais chamou a atenção foi seu Persiana Everyday, de Sabrina Ghayour, com a receita de vagem com tamarindo, alho e tomate deixada ali com um nível de “pegajosidade” que dispensava comentários. “Você provavelmente não ia querer tocar se não fosse da sua casa”, ela brincou.


Receitas Que Se Tornam Parte de Quem Somos

Já meu amigo Dan é fã assumido de Simon Hopkinson e Rachel Roddy. Segundo ele, Frango Assado e Outras Histórias tem a melhor receita de frango assado que ele já fez. Também ama a torta de cebola, o peito de cordeiro Ste-Ménéhould e os biscoitos de parmesão.

Mas foi o livro AZ of Pasta, de Rachel Roddy, que mais ganhou espaço na cozinha dele. “Provavelmente já cozinhei mais com ele do que com qualquer outro livro. Nenhuma receita foi ruim”, me disse.

O exemplar muito amado de Kate de Como Comer


Cada Livro Uma História

No fim das contas, cada um tem seu próprio “livro caindo aos pedaços”. Alguns são famosos, outros nem tanto. Alguns vêm com fotos brilhantes e papel grosso, outros parecem mais brochuras informais. Mas todos têm um lugar garantido na memória de quem os usa — e nos pratos que eles inspiraram.


E Você?

Agora é com você:
Quais são seus livros de receitas mais queridos?
Aqueles que, mesmo manchados e com lombadas rasgadas, você nunca trocaria por uma versão nova.
Quais receitas você sabe de cor, mesmo que ainda procure a página por costume?

Pode ser que seu livro favorito seja um clássico renomado, um exemplar de banca de revista, ou um caderninho herdado de alguém especial. Todos têm valor.

Afinal, o melhor livro de receitas não é o mais novo. É o mais vivido.

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